
“Deitei em minha cama cercada de velhas cartas que jamais tive coragem de enviar-lhe. Abro-as com as mãos trêmulas e leio os pequenos versos que escrevi para ti, em uma noite sozinha. Com a folha nas mãos, e as lágrimas rolando em meu rosto, leio palavra por palavra com uma dor gigantesca no coração. Cada letra parecia ter a função de cortar meu coração, cada parágrafo era uma facada. Fechei os olhos e deixei que as lágrimas caíssem. Abandonei a carta na cama, e olhei em volta. Tão vazio, tão silencioso […] Mas algo estava mais vazio e silencioso que meu quarto. Meu coração. Não me recordo da última vez que ouvi as batidas aceleradas e altas dele. Anda tudo tão calmo aqui dentro. Está tudo em desordem, tudo fora do lugar. Sinto que me falta alguma coisa. Falta algo em meu quarto, no meu coração, falta algo na minha vida. Falta aquela sensação gostosa na barriga quando você chega mais perto e cheira meu cangote, só de te sentir perto de mim… Aquela vontade de ficar no teu colo o dia inteiro, você mexendo no meu cabelo e fazendo cafuné, falando besteiras e qualquer coisa que seja… só basta estarmos ali, só eu e você. Naquele único instante, sem precisar falar nada… sem ter que dar explicações. Eu sei que ainda me faltam forças, tomar coragem, e lhe enviar aquelas cartas, que estavam a um bom tempo guardadas na gaveta… mas não, não é a hora certa… De te dizer tudo o que eu sinto, tudo o que está trancafiado dentro da minha garganta, que não consegue se libertar. Eu aguardo ansiosamente o dia que eu puder ficar na sua frente, olhar bem pros teus olhos e dizer aquelas três palavrinhas mágicas, que se diz quando já se tá preparado a um bom tempo… Mas por enquanto não, deixa como está, tudo bagunçado e emaranhado. O tempo vai decidir o que vai ser melhor pro nosso futuro, pra nossa vida em dobro.” Bárbara e Juliana Paiva (mentes-expostas)
Deitei em minha cama cercada de velhas cartas que jamais tive coragem de enviar-lhe. Abro-as com as mãos trêmulas e leio...
E então me apaixonei como se isso fosse...certa a se fazer. Entreguei-me. Foi-se...