
Relatos de uma garota.
Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento. Sempre dei meia volta pra entender de onde vem essa alegria, essa loucura, essa hostilidade. Nunca respeitei nem ao menos meu jeito, quanto mais a banalidade de dentro de mim — é momentâneo — Comparado a tudo que vivemos anteriormente, você acha que faria alguma diferença hoje? Acha que tudo pudera ser tão fácil assim? É tudo em mim está mudando. Porra, é tão difícil ser eu. Ainda questiono à cabeça os motivos de ter me tornado tão escrava dessa vida ou até de mim mesma, vai saber.
Eu sinto falta do hostil. Sinto falta de acordar todo dia com aquela sensação de dias novos, de pessoas novas, se nem ao menos eu posso colaborar com isso. Sinto falta da perdição involuntária de ser criança. Do maníaco, do insignificante. Sem essa bobeira de certo ou errado. Bons tempos aqueles em que não havia porque me preocupar com o coração, em que os únicos que eu conseguia amar de verdade eram meus pais e os familiares mais próximos. Nada de carregar feridas dentro do peito. Sinto falta da inocência de não saber o quanto o amor é destruidor.
Não me pergunta mais porque o céu é azul, porque parece que as nuvens se movem ou porque as estrelas parecem o mais coturbado tráfego de olhos brilhantes e flamejantes. Eu agora me econtro no cubículo do quadro. No centro. Procurando respostas; nesse mundo indulgente que só me revira as costas. Se você deixasse, eu poderia. Eu te mostraria como construir suas cercas, impor restrições. Separar-se do mundo, uma batalha constante que você odeia lutar. Culpe os holofotes. Não olhe para cima, deixe que eles pensem que não há outro lugar onde você preferiria estar. E agora não pode voltar atrás, porque essa estrada é tudo que você sempre terá.
Não venho conseguindo entender nada ao meu redor. Ocorreu-me tão de repente um enorme furacão que passa arrastando tudo aqui dentro de mim. Uma enorme confusão. É difícil distinguir o que sinto e até o que penso. É como se estivesse me faltando… o chão? Não sei. É difícil formar uma frase em minha cabeça que não tenha um ponto de interrogação no final. São muitas perguntas pra poucas respostas e não encontro nenhuma explicação lógica. Prometi tentar não entender. E sim sentir. Sentir uma vez, e apenas mais uma vez. Mesmo com o interrogatório na cabeça. Sentir amar a última pessoa no mundo, que eu amaria. Vitória Albuquerque e Larissa Rodrigues (mentes-expostas)
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