
“Não, você não entendeu a que ponto eu cheguei. Você ainda não tem noção do quão necessitada por você eu estou, nem tão pouco entende a falta que me faz. São raros os momentos em que eu posso me comportar como uma tal e normal garota da minha idade. Não ando saindo muito, não tenho pique para acordar e fazer tudo o que antes de dormir planejei. Não tenho também motivação de fazer algo que eu antes fazia, digo, não anda sendo fácil. Vamos combinar que o dia também não está me ajudando em nada, o frio anda me congelando, não por dentro, mas sim por fora. — Afinal, congelada já estou faz tempo. — Então é isso, eu ando ficando em casa. Ando ficando sozinha, me isolando. Me acomodando com essa vida que ando levando, que um dia me juraram que seria apenas uma simples fase. Assisto todos os dias pelo menos um filme, e se tudo funcionar do jeito que planejei, ainda dá tempo de pensar um pouco no passado. Não muito, nada em exagero. Nada além da dose que eu preciso por dia. Um dia uso um pouco mais, no outro até uso um pouco menos. Mas eu sempre preciso de um pouco para levar o dia. Assisto filmes romanticos, é claro. Aqueles clichês, bobos e totalmente nosso. Aquele que um dia já contou nossa história. Bebo um café ligeiramente frio com um pouco de adoçante, faço a mesma coisa sempre. Eu me acomodei com isso. Com o chato, o velho. Algumas tardes lembro do teu cheiro, teu perfume e quando estou com a mente mais calma até da tua voz recordo-me. Um som calmo, totalmente aquela voz de fundo, se diminuindo ao longo do tempo que se passa. Tudo isso quando o comercial do tal filme começa. Não é exagero meu, lhe garanto. Prometo e se quiser lembro-te de tudo o que fiz desde que se foi. Muito tempo se passou, — para mim — afinal, são apenas quatro meses. Muito pouco tempo para eu pelo menos cogitar te esquecer, e esquecer tudo o que aconteceu. Você deveria saber o quanto dói usar verbos, frases e essas coisas todas no passado. Foi, aconteceu, amou. É horrível saber que acabou, e eu não percebi, ainda não me caiu a ficha. Eu paro e penso em tudo, tudo mesmo, o que aconteceu, e a única coisa que consigo pensar é “Porque acabou?”. Pergunta sem resposta. Ou talvez haja uma resposta, talvez nós dois podéssemos nos ver novamente, e por aquele velho e clichê papo em dia. — Oi, como está? — Aquele mentiroso e coberto de dor “Tudo bem”. Ah, quem estou tentando enganar? Não há volta, não podemos simplesmente nos sentar em uma mesa, tomar uma xícara de chá e relembrar os velhos momentos. Por mais que eu queira[…] Queria que tudo fosse tão fácil, como parece ser. Queria que você ainda me amasse, como eu imagino amar. Às vezes, encontro refúgio naquele filme de terror, ou suspense que está passando, mas aí eu lembro de como apertava minha mão quando estava com medo, e como me abraçava para que me sentisse protegida. Sem você estou tão desprotegida, sem vida. Eu perdi tudo quando perdi você. Meu coração aqui dentro está em conserva, dentro de um pequeno cubo de gelo, na função apenas de bombear sangue. Sangue frio[…] Essa é minha maneira de tentar tirar de minha mente o quão dolorosa foi a despedida, e o quão doloroso estão sendo meus dias sem você. As noites geladas, as tardes friorentas, tudo me faz sentir ainda mais a sua falta. Falta do calor do seu corpo, do seu beijo, do seu abraço, falta de você, por completo. Não saio mais de minha casa, tenho medo de encontrar-te naquele parque que íamos todos os dias com outra. Tenho medo de vê-lo sorrindo, e saber que apenas eu estou sofrendo. Eu tenho medo de te ver e não aguentar, e sei que não vou. E tenho medo ainda mais de te amar mais do que já te amo apenas por ver o brilho de seus olhos a oito metros de distância, ou o seu sorriso. Lembra que eu dizia que me apaixonava um pouco a cada dia? Não pode acontecer novamente, precisa ser colocado, nem que a força, um ponto final. Eu preciso de mim novamente, sorrindo e sendo feliz. Só há um problema, quando nos conhecemos, você virou a minha felicidade. Nunca imaginei que você pudesse ser tudo o que há em mim, bom ou ruim, me fazendo bem, ou mal. Você me ensinou a te amar, me ensinou a te querer cada dia mais, mas meu amor você esqueceu de me ensinar a te esquecer.” Júlia e Bárbara (mentes-expostas)

“E eu estou aqui de novo tentando me refugiar em meras palavras ditas, pensadas todos os dias. Talvez eu precise do novo, do que me agrade e me faça feliz como um dia eu sonhei ser, como um dia eu quero ser, como um dia eu vou ser. Preciso de sentimentos, do amor, mas do verdadeiro por que só no verdadeiro que é possível enxergar tudo, sentimento, felicidade e até as tristezas. Preciso de alguém que me conforte, com abraços, palavras, beijos, sorrisos. E o talvez que eu disse no começo agora virou certeza. Eu cansei do mentiroso, e coberto de farsas, amor para a vida toda. Cansei de me iludir com palavras recheadas de mentiras, e de sorrisos sem verdade. Quero atualizar a minha vida, atualizar aqui dentro, bem no fundo. Quero não, preciso… Preciso tentar seguir em frente com um belo de um sorriso e uma confiança de dar inveja. Preciso parar de pensar, pensar e pensar, mas não agir. Ser feliz sempre foi uma teoria, sempre foi o argumento para a pergunta “O que você quer ser quando crescer?”, eu só preciso por em prática tudo o que preciso, só preciso ir atrás do que me faz bem. Felicidade é abstrata, não tem uma explicação lógica, e não tem sentido, mas é boa, traz calma. É completamente necessária. E minha felicidade, é você. Eu só preciso de você, do meu lado, me guiando para o caminho certo. Eu acho que o caminho certo, é o caminho em que estiver você. Preciso de alguém que esteja disposto a me aturar, a me ajudar, a me levantar quando eu estiver para baixo, eu preciso de um beijo que me faça ter vontade de seguir. Eu preciso do seu beijo[…] Das suas mãos nas minhas, do seus olhos me fitando, e de você me amando. Eu quero ser feliz, acima de tudo, mas para isso acontecer, preciso estar contigo. E você, está disponível para me fazer feliz?“ — Bárbara e Lucas. (mentes-expostas)

“Esses dias eu parei pra pensar e refletir sobre o mundo em que vivo, e cheguei a conclusão de que preferia ficar deitado em minha cama e não levantar nunca mais. É tanta hipocrisia chicoteando as pessoas, é tanta falta de caráter destruindo personalidades, que já não sei se vale a pena continuar a viver. Dar passo a passo, um atrás do outro, sem pressa, sem desespero. Mas vivendo onde vivo, convivendo com quem convivo, como não me desesperar? Como manter a calma? Existe aquele ditado que diz que para se acalmar só precisa respirar fundo. Ando respirando fundo todos os dias, tanto que acabarei com todo o oxigênio do mundo, se duvidar. Eu paro, olho em volta, e respiro fundo. E isso a algum tempo já. Mas que cargas d’água eu faço nesse lugar? Será que nasci no lugar certo? Será que não há algo errado por aqui? Acho que devo ser de outro país, outro continente, ou melhor, devo ser de outro planeta. Não me sinto em casa nem nesse lugar que costumo chamar de meu lar. Não reconheço-me diante do espelho. Mudei de romântica e apaixonada para fria e calculista. E não foi algo fácil, e não foi escolha minha. Me sinto completamente errada, o tempo inteiro. E completamente. E o que fazer quando tudo parecer tomar um rumo errado, e diferente do esperado? O que fazer quando tudo dá errado ao seu redor, e suas tentativas de fazer dar certo, só pioram? O problema sou eu? Ou realmente é o mundo? Sei lá, na verdade, nem me preocupo em descobrir. Estou meio tanto faz, meio fora de órbito, apenas esperando que chegue o fim dessa história. Pra eu finalmente olhar para cima e dizer: “Graças a Deus”. Pra eu finalmente poder dizer que a angústia e o medo que me atormentavam se esvaziaram do meu peito. Eu me sinto deslocada. Totalmente errada. Abrigada num mundo onde não posso mais dizer que é meu. Fui retirada involuntariamente do meu porto-seguro. Hoje me sinto sozinha, refugiada em minhas próprias crises existenciais e o medo de acabar sem ninguém. Quem sabe não seja esse o meu destino. Quem sabe a vida não reservará um futuro solitário em que posso me afogar em meus próprios dramas e lágrimas incessáveis. Eu não sei quem realmente está totalmente de cabeça para baixo; Se é o mundo, eu sou eu. Só espero que as reviravoltas enfim se normalizem, e eu possa novamente, dizer que esse, é o meu lugar.“ — Bárbara Rodrigues e Fernanda Andreotti (mentes-expostas)

“Somos completamente diferentes um do outro, opostos que não se atraem. Corpos feitos para ficarem distantes. Superman e criptonita. Eu costumo te ver como algo que eu preciso ter, mas não posso, algo que me faz mal e bem ao mesmo tempo. Me faz rir e chorar, viver e morrer, por dentro sabe? Te vejo como uma necessidade reprimida. Vejo o brilho dos seus olhos na imensidão do mar, e sinto seu cheiro nos lugares mais inusitados. Dizem que o errado atrai, e você tem lá seu erro. Tem sua forma de ser completamente errado e não recomendado para mim. E algo em você me atrai de forma intensa, é como se algo dentro de mim tivesse um ímã. Um ímã que só você atraía, puxava. Estranho, não é? Sempre escutei as pessoas ao meu redor dizerem que tenho um tal de ímã para problemas. Então, você é o problema que estou atraindo? É? Você é o problema que eu preciso ter, você é o erro que quero cometer. Você é o idiota que eu adoro amar. Mas você também é um sonho, um sonho que nunca vai se realizar. Por mais que eu queira, não dá. Todo esse vício que encontrei em você não é suficiente ainda. O imã atrai e repele ao mesmo momento, apesar de atrair em frequências maiores. Você é o desejo que eu gosto de ter e a saudade que me corrói por dentro. Você se tornou o equívoco correto. Sou eu a divisão e você a multiplicação, prova real de mim. Você é o desconfortável e o agradável, o bem e o mal em tempos iguais e isso dá um nó na cabeça. Essa interferência que existe entre nós sempre houve e nunca tentamos barrá-la; algo que poderia ter sido feito há tempos. Mas parece que nosso relacionamento nunca foi feito para dar certo, seguir em frente. É você lá e eu cá. Mas se for para errar mesmo, que tal errarmos juntos?” Bárbara e Larissa Nunes (mentes-expostas)

“Eu quero ser livre. Livre de verdade. Correr por aí. Andar com a minha bicicleta pra cima e pra baixo. Chutar a bola no vidro do vizinho e sair correndo. Eu quero liberdade. Quero me sentir como uma pena que, conforme o vento sopra, voa para qualquer lugar. Quero andar por aí com a minha mochila nas costas. Vou levar dentro da mochila somente o essencial. Dessa vez eu vou sozinho. Vou correndo e quando eu cansar, eu paro numa lanchonete, tomo um suco e volto a andar. Vou em frente. Enfrentar todos esses problemas com um sorriso no rosto. Quero colocar meus fones e esquecer tudo que a cidade grande grita. Quero ver-me livre de todas essas buzinas e essas inúteis brigas de trânsito. Quero é ser feliz. Seja na cidade grande, numa casinha de campo, ou numa casa de praia. Quero tanta coisa. Posso tão pouco. Ah se eu pudesse realizar todos esses desejos! Por enquanto, me deixa ser livre. Só isso. O resto vem com o tempo. Agora, só quero ser livre. Sempre me disseram que liberdade anda ao lado da felicidade. Hora de ver se há alguma verdade no que falam. Quero ser livre e feliz, andar por aí sem me preocupar com o grito de socorro ao meu lado, ou com o certo e errado. Chorar apenas de felicidade, que tão grande seria que me arrancaria suspiros. E sorrir, o tempo inteiro, como se tudo estivesse perfeitamente bem. E vai estar. Estender os braços para cima, e me preparar… Para ser feliz. Olhar apenas para frente, e esquecer o que passou, o que era, e o que ficou. Vivendo o presente e visando o futuro. Correr atrás de um caminhão e me pendurar nele. Fugir para longe, longe dos problemas apenas. Longe das pessoas. Afinal, pessoas são o problema. Ir, e não voltar. Ficar. Por um bom tempo, e viver intensamente, com liberdade, com felicidade, e o mais importante… Apenas comigo mesmo.” Arthur e Bárbara (mentes-expostas)